Um Banquinho torneado

31jan09

O Torno é uma máquina-ferramenta que produz sólidos de revolução, na linguagem da Geometria. Cilindros, cones ou esferas são sólidos de revolução, tendo em comum a forma arredondada – ou torneada.
Torneamos uma peça arrastando uma ferramenta de corte contra um bloco que gira sobre o seu próprio eixo. Diferente da tornearia mecânica, as ferramentas de corte são sustentadas pelas mãos, com a lâmina apoiada sobre uma espera.

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São diversas as ferramentas de corte, conforme a necessidade de se obter esta ou aquela forma. São utilizados principalmente os bedames e as goivas, sendo o bedame tão importante para o torneiro quanto o formão é para o marceneiro.
Praticamente todas as espécies de madeira podem ser torneadas, conforme a dimensão e a utilização da peça. É preferível trabalhar com madeiras de grã reta, linheiras, principalmente no torneamento de blocos entre pontas. A madeira deve estar seca; ao contrário, pode abrir ou empenar durante o trabalho.

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Móveis torneados e outros utilitários aparecem em todos os tempos como a técnica de entalhe mais comum, sendo os móveis totalmente ou parcialmente torneados, como pés de mesas, cadeiras e armários. Os motivos decorativos mais freqüentes são espirais, balaústres e colunas, contendo segmentos como bobinas, bilros, filetes e toros, entre outros detalhes. Peças torneadas também podem ser aplicadas sobre a superfície de um móvel ou de uma moldura, cortando a peça em duas metades longitudinais.

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Assim, a Tornearia é notável pela diversidade de peças capaz de fabricar e pela rapidez em usiná-las, desde o bloco bruto até o seu polimento – característica única entre os demais processos de fabricação de peças de madeira.

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Neste artigo mostro o torneamento de um banquinho de cedro, projeto que desenvolvi para o Curso de Tornearia para Madeira, aplicado na Fundação Oswaldo Cruz para os marceneiros desta instituição através do SENAI-RJ.

Preparando os blocos

As peças são previamente marcadas. É necessário achar o centro de cada bloco para fixá-lo no torno, evitando assim movimentos excêntricos.

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Em seguida as peças são desbastadas, ficando próximas de sua forma torneada, o que facilita o entalhe e aumenta a segurança.

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Peças com arestas são perigosas, podem lascar ou prender a ferramenta durante a operação.

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Para o assento utilizo uma serra circular de mesa com um gabarito, girando a peça a cada corte, e obtenho no final um disco.

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Para as outras peças, que servirão para as pernas do banquinho, utilizo a serra de fita com um gabarito que ajuda a remover as arestas do bloco. No curso utilizamos a serra circular para esta operação, deitando o disco de serra a 45º e obtivemos o mesmo efeito.

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Torneando meia-peça

É chamado de meia-peça o bloco fixado apenas na ponta-motriz do torno, através de acessórios, como o prato, o mandril ou a bucha. Assentos de bancos, tigelas, caixas e toda sorte de peças são produzidas em meia-peça.

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O torno que utilizei para preparar este exercício é industrial, um Mazzuti 1300, com motor de 1730 rpm e um CV 1 ½ de potência. No curso utilizamos um torno similar, um Rocco TS 1300. O número “1300” indica a distância máxima em milímetros entre as pontas do torno.

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Fixei o bloco no prato do torno, junto com um disco de MDF, que proporcionou a usinagem de ambas as arestas, sem precisar recolocar a peça.

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Primeiro acerto a borda com um bedame, conformando um perfeito disco. Utilizo uma luva na mão mais próxima ao torno para proteger-me das aparas.

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O punho do bedame fica encostado na cintura, para maior firmeza e controle da ferramenta.

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Em seguida posiciono o castelo em frente à face do bloco, primeiro retificando e acertando a espessura do assento, controlando sua medida com um paquímetro.

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Para acabar a peça utilizo lixas 100, 150 e 220. Aplico seladora com o torno desligado, e em seguida cera de abelha, polindo a peça com estopa.

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Torneando entre pontas

É chamada de torneamento entre pontas a operação onde o bloco é fixado pelas extremidades, entre a contra-ponta e a ponta-motriz. Pernas de mesas, de cadeiras, balaústres e toda sorte de peças são produzidas entre pontas.

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Para cada bastão serão modeladas duas pernas. Primeiro a peça é desbastada com uma goiva, retificando-a. Em seguida a peça é marcada com um compasso de pontas secas, determinando os limites para cada detalhe.

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Preferi tornear logo o pino que encaixa no assento, nas extremidades. Para não haver folga deixo uma medida ligeiramente maior que a medida do furo, cerca de 1 mm de diâmetro a mais.

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Acrescento algumas linhas, queimando com um arame. Pode-se usar uma sobra de fórmica para obter o mesmo efeito, “cortando” a peça.

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Por último é modelada a base das pernas, onde serão separados no final da operação. O acabamento é idêntico ao assento, com lixas e cera de abelha.

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As travessas que conformam a união das pernas são modeladas de forma idêntica ao processo descrito, também entre pontas. Para o curso preferi comprar uma peça pronta, um pau roliço com ½ “ de diâmetro, o que nos economizou tempo.

Perfuração e montagem

Para perfurar o assento regula-se a mesa da furadeira de coluna (goniômetro), orientado por uma suta ou gabarito, de acordo com o ângulo desejado. É importante que a peça esteja firme, fixada por grampos.

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A perfuração das pernas é feita com auxílio de um gabarito que criei para este projeto. Trata-se de uma caixa que acomoda a peça para receber dois furos adjacentes.

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Primeiro, perfura-se a peça e uma travessa é colocada; em seguida a peça é girada a 90º, encaixando a travessa na borda do gabarito para ser perfurada novamente.

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Para montar o banquinho utilizei cola branca, um maço e uma régua, controlando sempre as distâncias entre os encaixes. O encaixe das travessas é feito com o cuidado de não “fechar” as pernas do banquinho.

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Por fim as pernas são encaixadas no assento e a cola é limpa. Sobre uma base bem reta sua estabilidade é testada e ajustada.

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Então, é só provar sua resistência…com um merecido descanso!

- Diego de Assis

ATENÇÃO

Diversos procedimentos de oficina oferecem riscos. Por isso devem acompanhar o uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual): óculos de proteção, máscara contra pó, protetores auriculares, entre outros dispositivos de segurança. Apenas pessoas capacitadas devem operar máquinas e ferramentas de corte; ao contrário estarão sujeitas a acidentes graves.

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