Plainas Especiais

24dez09

Além das plainas de alisar (plaina de topejar, de afagar, rabote e garlopa) , há uma variedade de plainas especiais, com determinados tipos de corte para fins diversos. Plainas para encaixes, plainas de moldar, goivetes e guilhermes são exemplos desta variedade, usadas desde os tempos remotos da marcenaria tradicional e hoje por poucos artesãos, mantenedores de antigas tecnologias extintas pela indústria atual.

Segundo Leo P. Mc. Donnell, em seu livro Ferramentas Manuais para Madeira (Ed. Record, 1962),
“As ferramentas especiais de aplainamento são necessárias para fabricar respigas de encaixe e juntas de meia madeira, e molduras especialmente formadas sobre guarnições de madeira e isolamento de tábuas.”

No lado esquerdo, de cima para baixo: 3 ferros de cepos de gola, 4 ferros de  cepos bastão. No lado direito, de cima para baixo: 3 ferros de cepo guilherme, 3 ferros de plainas de encaixe, 3 ferros de cepo goivete.


Para este artigo selecionei algumas plainas de minha coleção, adquiridas principalmente em feiras de usados no Rio de Janeiro, e descrevi suas funções básicas.  São em sua maioria antigos cepos de madeira,  de origens diversas, feitas por artesãos anônimos – os co-autores deste resumo.

Goivete
Luckhaus & Günther

O goivete de madeira – ou cepo goivete – é ferramenta de beleza ímpar. Possui guia paralela e um graminho para regular a profundidade do corte.

Max Willian Dittrich descreve em seu livro Marcenaria – Manual de Tecnologia (MEC, 1954):
“É o goivete uma plaina especial que serve para abrir ranhuras. Quanto à largura, é o próprio ferro que a determina, sendo por isso a plaina sempre acompanhada de um jogo de ferros.”

Além de ranhuras também é capaz de abrir rebaixos estreitos.

Goivete Duplex
Bohrer

É utilizado para cortar rebaixos, e possui esta denominação por possuir dois assentos para o ferro; o dianteiro, chamado de “nariz de boi” e o assento anterior, onde é normalmente armada. Diferente das outras plainas apresentadas neste artigo, esta cópia é de fabricação atual.

Possui guia paralela, um graminho para regular a profundidade do
corte e uma espora, que serve para riscar a madeira nos cortes transversais.

Além de cortar rebaixos, este tipo de plaina pode servir para alisar superfícies e arestas, e cortar chanfros e biséis.
Quando usada com estas finalidades, todos os acessórios são retirados.

Cepo Guilherme

Assim como o goivete, também é uma plaina rebaixadeira. Seu ferro se estende por toda a largura da base, alcançando os cantos de uma peça.

É utilizado para regular espigas, para cortes de peças com rebaixos largos e recessos.

Plainas de encaixe

Para encaixes de borda macho e fêmea. Este par de plainas conforma rapidamente um encaixe preciso e forte. Uma plaina faz a ranhura (fêmea), a outra faz a lingueta (macho).

Embora os ferros destas plainas estivessem muito deteriorados, após sua afiação cortaram peças que se encaixaram perfeitamente,  conformando uma união robusta e faceada.

Plaina-de-volta americana

Stanley 113

Também conhecida como plaina curva ou plaina circular, é utilizada para aplainar contornos côncavos ou convexos sobre a madeira, com sua base flexível e ajustável. É ferramenta extremamente útil para bordas curvas longas e suaves, principalmente quando estão sujeitas ao revestimento.

Marc Ramuz comenta em seu livro Enciclopédia do trabalho em madeira (Ed. Livros e Livros, 2002):
“…para peças de  mobiliário formal que irão ser trabalhados com planos moldados, ou folheados, não há outra hipótese senão a de usar uma plaina circular.”

Plainas de Moldar

É utilizada para o corte – ou moldagem – de caixilhos, molduras e perfis em geral. Geralmente conformam motivos ornamentais.


São os bastões, que possuem rasto côncavo ou convexo,conformando meias-canas ou cordões salientes…


… e os cepos de gola, que apresentam segmentos mistos. Hoje estas plainas foram substituídas pela tupia elétrica com suas diversas fresas.

Moldando uma peça

Para que o gume  da ferramenta alcance a peça, primeiro retirei a maior parte do material chanfrando sua aresta com uma plaina de afagar, dentro do limite da marcação feita em seu topo.

Após este preparo iniciei a moldagem com o cepo de gola, cuidando a cada passagem de seu encaixe, entre peça e plaina.


Para acabar, utilizei um cepo bastão na canelura, e um guilherme no pequeno rebaixo, acentuando a forma da moldura.


O resultado é tão preciso quanto a usinagem de uma tupia elétrica – com a vantagem de não provocar queimaduras na peça!

Experimentar antigas ferramentas é entrar em contato com outro tempo, com sua  história e com o espírito de uma época.  São especiais, de fato,  distintas pela utilidade, pela beleza e  pelos segredos que contém.

- Diego de Assis


ATENÇÃO

Diversos procedimentos de oficina oferecem riscos. Por isso devem acompanhar o uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual): óculos de proteção, máscara contra pó, protetores auriculares, entre outros dispositivos de segurança. Apenas pessoas capacitadas devem operar máquinas e ferramentas de corte; ao contrário estarão sujeitas a acidentes graves.

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