A serra de arco (Bowsaw), conhecida também como serra de armas ou serra de rodear(Turning saw), é uma ferramenta antiga e versátil, sendo especialmente útil para cortes curvos. Atualmente a serra tico-tico elétrica ou a serra de fita substituem a serra de arco.

Sua estrutura em “H” tensiona a lâmina flexível, podendo ser de dimensões e larguras diferentes. Os punhos podem girar, permitindo diversas posições para a lâmina, para que se possa trabalhar em várias direções. Esta serra é fácil de regular e de desmontar para substituir a lâmina.

Altura das armas: 31cm. Comprimento da lâmina: 30cm.  A lâmina possui 18 dentes por polegada.

Este modelo foi construido a partir de desenhos da serra tradicional inglesa. É uma serra muito popular, muito reproduzida, sempre com este aspecto de lira. Escolhi tornear um par gêmeo de punhos, embora divesas referências também mostrem pares de punhos diferentes (um menor que o outro). Utilizei sobras de Peroba-do-Campo (Paratecoma peroba), madeira excelente para tornear e usinar em geral.

Para marcar as peças com precisão, fiz um molde com o desenho das armas. A marcação é feita em todas as faces das peças previamente retificadas.

Em seguida são feitos os encaixes de caixa e espiga na travessa e nas armas. Depois entalhei as armas e a travessa. Com as etapas de fabricação nesta ordem o resultado é mais preciso.

Com a estrutura resolvida, agora as armas são perfuradas para o encaixe dos punhos.

Para fazer um furo perpendicular com o arco de pua é melhor encostar o queixo sobre a mão. A manobra fica mais firme, e também privilegia a visão.

Para iniciar o entalhe das armas são feitos cortes seguidos, até o limite da marcação. Estes cortes facilitam o entalhe e delimitam a retirada de material.

De formão e macete a peça é entalhada, com o cuidado de manter o corte contra as fibras da madeira.

Com raspilha e limas modelei as bordas, retirando as arestas. As armas servem também como pegas, por isso é importante torná-las “macias”.

Desenhei o punho, em escala natural. Suas medidas foram transferidas através de compassos para o torneamento.

Usei goivas, bedames e um simples torno impulsionado por uma furadeira elétrica.

As extremidades dos punhos são cortados ao meio e perfurados para o encaixe da lâmina. A lâmina também é perfurada nas extremidades, com broca de aço rápido. Para fixar a lâmina ao punho é atravessado um pino de aço. Um prego comum não serve, podendo entortar com o uso.

Para o acabamento usei lixas dos diferentes grãos: 120, 150 e 220.

Ao final, estas são as peças para montar a serra: a corda (uso barbante encerado), a palmeta (para torcer a corda), a lâmina, as armas, a travessa e os punhos com os pinos de aço.

A lâmina é esticada com a torção da corda, duas a três voltas com a palmeta. Quando a serra não está sendo utilizada a corda é relaxada.

Uso frequentemente esta serra, com precisão. É robusta e a lâmina flexível muito resistente. É própria para recortes de peças com pouca espessura, mas já fiz cortes de até 40mm em madeira maciça. Além destas utilidades, é uma bela ferramenta, que reproduz em sua forma histórias de antigos artesãos.

Diego de Assis

ATENÇÃO

Diversos procedimentos de oficina oferecem riscos. Por isso devem acompanhar o uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual): óculos de proteção, máscara contra pó, protetores auriculares, entre outros dispositivos de segurança. Apenas pessoas capacitadas devem operar máquinas e ferramentas de corte; ao contrário estarão sujeitas a acidentes graves.

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Além de cortes retos, transversais ou paralelos, a Serra Circular de Bancada também pode tornear peças, como discos e cavilhas. Tudo depende de como conduzir a usinagem para obter estes efeitos, através de ferramentas criadas na própria oficina, que são os gabaritos.

Os gabaritos são ferramentas que conformam certos padrões de corte associados às máquinas.

Torneando discos

Para tornear pratos, discos e bordas arqueadas são necessários cortes tangentes. A peça é movimentada em torno do próprio eixo e também ao longo da bancada de serra. O que determina a curvatura do disco ou do arco é a distância do eixo até o disco de serra, ou seja, o raio (r).

O eixo da peça pode ser um prego ou parafuso, com folga suficiente para movimentá-la. O eixo deve estar sob a peça, absolutamente perpendicular à base, ao contrário a peça ficará exêntrica. Na serra circular de bancada o gabarito deve ser encaixado na borda ou nas ranhuras paralelas, e na esquadrejadeira fixado no carro.

Pode-se tornear com perfeição assentos de banco, pratos, tampas, etc. cortando a peça por igual até o completo giro no final da operação.

Bordas arqueadas

O giro da peça deve ser contra a lâmina, no sentido anti-horário. Como está solta, presa apenas por um eixo, é preciso firmeza a cada corte, para que a peça não prenda.

Quanto mais suave é a curva maior será a distância do eixo até o disco de serra.

Torneando Cavilhas

Precisei em certa ocasião de cavilhas finas, e com um pequeno gabarito para serra circular obtive cavilhas finas e uniformes.

O diâmetro da cavilha é determinado pela altura do disco de serra; quanto mais alta estiver a lâmina mais fina será a cavilha. É preciso ter muito cuidado para movimentar a peça, devendo estar sempre com os dedos distantes da lâmina enquanto estiver sendo segurada.

As extremidades da peça são fixadas pelas pontas de parafusos, com as pontas previamente desgastadas. Os parafusos regulam a folga necessária para movimentar a peça.

A peça é movimentada sobre o disco de serra, contra a lâmina. Não se deve arrastar a peça contra o disco, de um lado para o outro, mas cortá-la em pequenos deslocamentos laterais, girando-a completamente em torno de seu eixo.

Diego de Assis

ATENÇÃO

Diversos procedimentos de oficina oferecem riscos. Por isso devem acompanhar o uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual): óculos de proteção, máscara contra pó, protetores auriculares, entre outros dispositivos de segurança. Apenas pessoas capacitadas devem operar máquinas e ferramentas de corte; ao contrário estarão sujeitas a acidentes graves.